A verdadeira face da mentira

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Uma das grandes diferenças entre verdade e mentira está justamente na força de manipulação com que elas se manifestam em um ambiente coletivo e organizado. A primeira tanto pode estar amparada por um sistema de valores morais restrito a uma cultura e, dessa forma, manifestar-se de forma inconsciente e automática, como pode ter um conceito relativo a cada indivíduo onde dependendo do lugar ou tempo em que está inserido, pode ter o valor de mentira. A mentira, por sua vez, está condicionada á concepção individual, um interesse específico e, portanto, mais forte e coeso quando decidido a manipular.

Não há, no entanto, meios definitivos para conceituar ou diferenciar uma da outra. O que pode e deve ser feito é uma análise conjunta dos meios pelos quais um conceito verdadeiro ou falso interfere-se nas razões decisivas da sociedade com o objetivo da mudança geral de uma concepção vigente para adquirir vantagens a médio e longo prazo. Neste caso, o aparato argumentativo da mentira é bem mais forte. Se a verdade pode variar conforme a interpretação dos fatos, visões diversas ou representação de uma lei baseada em pressupostos verídicos, a mentira é dotada de uma propriedade dificilmente alcançada no campo da divulgação de informações ou tentativas de embuste de uma realidade: a ausência de contradição. Por ter a origem em um interesse específico ou opinião em uma solução única e acabada, a mentira social ou mentira jornalística é algo que pode atravessar gerações inteiras através da transformação do senso comum, enquanto a verdade mais profunda de uma sociedade fica no campo do óbvio e, por isso, indiscutível. Com isso, a mentira ganha consecutivos debates públicos e vitórias históricas sobre a verdade dos fatos, cujos sabedores resignam-se ao silêncio da contemplação antropológica de um momento histórico de histrionísmo. Como a verdade para eles ultrapassa a mera condição de opinião ou ideologia, sendo somente um valor real, não vêem necessidade de brigar por ele, deixando livre o terreno para toda a sorte de golpes intelectuais, filosóficos e morais, articulados por forças de interesse.

Quando uma grande massa de intelectuais ou políticos são convencidos pelos argumentos acabados do relativismo e do historicismo absoluto, transformam toda uma geração em exército do embuste e, mesmo que mais tarde dêem-se conta das inverdades contidas na ideologia que eles aprenderam, aprendem rapidamente que o fim justifica os meios. O que ocorre neste momento é o profundo desconhecimento ou confusão a respeito do fim esperado por estes movimentos.

Em muitos países estas forças existem há muitos séculos e em diversos momentos da história ganharam força e perderam. Mas no Brasil dos meados do século 21, elas encontraram um terreno perfeito para começar um verdadeiro império. Este império está sendo erigido graças à tomada de posse da mais poderosa força formadora da civilização, a Universidade.

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