Guerra fria e assimétrica

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Fim do conflito internacional entre Equador e Colômbia. Hugo Chávez já refez os laços comerciais que havia rompido com Uribe e Rafael Correa é agora amigo de infância do governo da Colômbia que no sábado passado invadiu seu território em uma operação militar matando o número dois das Farc e dando início a tensões diplomáticas por três dias. Tudo seria um mar de rosas e o pacifismo pode ter retornado para ficar nos países andinos se não fossem inimizades muito maiores do que os atuais presidentes.

A crise entre os três países é o resultado diplomático de um impasse histórico que terá implicações igualmente históricas. A iniciativa militar da Colômbia demonstra que existe uma esperança para as pessoas que sofrem e, principalmente, sofrerão no futuro com os problemas do terrorismo, mas não resolve os problemas que envolvem a atuação da guerrilha em outros países. A abrangência do ataque se restringe ao que pode ou não fazer o governo linha dura de Álvaro Uribe. Houve momentos de terrível apreensão no gabinete do colmbiano que, sem sombra de dúvida, pensou e repensou a decisão que estava prestes a tomar. Invadir o território de um vizinho para atacar um inimigo que causou e causa tanta desgraça dentro do seu país seria, em qualquer contexto civilizado, uma coisa justificável. Durante 40 anos a Colômbia sofreu com esses terroristas em seu território, agora o povo apoiaria o governante que atacar o país-acampamento dos larápios.

Não foi assim, no entanto, que os países vizinhos entenderam a morte do terrorista número dois das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. O conflito diplomático demonstrou o ódio que tanto Rafael Correa quanto Chávez têm do governo colombiano, um governo com 90% de aprovação popular que se encontra no meio do seu segundo mandato. Não foi por menos, Álvaro Uribe não acabou com o narcotráfico, mas o manteve longe das grandes cidades confinando a guerrilha em acampamentos das florestas. Com eles longe, pôde trazer desenvolvimento à capital colombiana como nunca houve naquele país. Rafael Correa e Hugo Chavez têm parentesco ideológico e também um plano em comum. Entre as semelhanças que unem os dois presidentes “terroristas” está a de que os dois pertencem ao Foro de São Paulo juntamente com as Farc.

A posição do Brasil no conflito deixou muita gente insatisfeita e causou estranheza ao condenar a invasão colombiana ao território equatoriano, mas sem ressalvar alguma legitimidade na luta contra o terrorismo. A estranheza e o espanto de alguns, no entanto, só pode ser fruto da desinformação, pois não deve ser mais novidade [não somente por recentes reportagens da revista Veja] que o presidente Lula é também um membro vitalício do Foro do qual as Farc participam com honras de guerrilheiros humanitários. O próprio Chavez já falou em seu programa Alô Presidente que, quando conheceu Lula, numa reunião do Foro de São Paulo, foi também a ocasião em que travou conhecimento com o comandante das Farc Raul Reyes, morto no último sábado (01/03) pelo exército colombiano.

O Foro de São Paulo pode ser chamado de ‘Clube do Inferno’, por ser um grupo com declarados ideais de cunho fascista e autoritário que tem o objetivo máximo do paraíso na Terra, aquele que Hugo Chavez faz questão de aclamar em seus discursos com sua frase ‘socialismo es amor, socialismo es caridad’. Algo que vai muito além de simplesmente “desestabilizar as democracias do continente para causar um clima de insegurança”, como têm dito os analistas respeitados do Brasil e de outros países.

A pesar do exército colombiano ser hoje consideravelmente maior do que o cultivado pelo belicista Chávez, a sede de sangue do caudilho bolivariano vai se mostrar infinita e cada vez mais irremediável diante do contínuo apoio dos EUA ao governo da Colômbia. George Bush vê em Uribe um aliado importantíssimo para uma futura e necessária pacificação da América Latina mesmo não sabendo da guerra que está por vir.

A posição designada pelo governo de Bogotá é a mesma adotada por Washington, a de não negociar com terroristas. É por essa razão que, tanto Chavez quanto Correa apontam que Uribe não tem interesse em libertar os reféns. No meio deles, está a política Ingrid Betancourt que, segundo dizem, seria uma forte opositora do governo de Uribe assim que for libertada. A questão é: se Ingrid faz parte da oposição a Uribe, resta saber o quanto ela está próxima ideologicamente dos membros da guerrilha. Pois disso depende a legitimidade desse suposto seqüestro, o que transforma toda essa negociação internacional, que inclui o governo da França, em um circo com o objetivo, este sim, de desestabilizar os governos das Américas que não se encaixam no programa da guerrilha comunista, sejam eles… a Colômbia e os EUA.

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