O perigo da nossa história

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Em março de 1964, o povo brasileiro foi às ruas para pedir pela deposição de um governo que a cada dia mais se alinhava ao comunismo. O resultado foi que o pedido foi atendido pelas Forças Armadas, já inclinadas a derrubada do então presidente João Goulart. A Marcha da Família com Deus pela Liberdade juntou mais de 1 milhão de pessoas, a maior passeata da história até então.

O que os generais golpistas da época não sabiam era que a sua atitude ia acabar fortalecendo futuramente a campanha mais temida por tantos brasileiros: a da ditadura comunista. Infinitamente pior do que a ditadura militar vivida pelo país, com os seus 2 mil desaparecidos, poderia ter sido, ou ainda poderá ser, a ditadura comunista que, só em Cuba, fez desaparecer cerca de 17 milhões de pessoas. Sem falar nos espetaculares saldos de 70 milhões de mortos do comunismo Chinês e 100 milhões da URSS.

O comunismo pode ser apontado como o eterno carma brasileiro. O medo das ditaduras de esquerda no país remonta às décadas de 20 e 30 quando eclodiram as revoluções totalitárias na Europa inspiradas em ideais racistas e estatistas. Desde a República Nova, com Getúlio Vargas, o temor das rebeliões populares motivou a criação de leis trabalhistas e cuidados com a burguesia e a industrialização. Nada disso adiantou. Mesmo durante o Império, o saudoso Dom Pedro II já temia que revoluções manchassem a história do país com sangue e deixava clara a sua preocupação com a liberdade de imprensa e de expressão, a grande marca do Segundo Reinado. Mesmo com a liberdade dos republicanos de criarem o seu partido, gozavam sempre de pouco prestígio entre o povo, necessitando de um golpe militar para instituir a república.

Depois da Proclamação da República por Deodoro da Fonsceca (um conhecido monarquista), o Brasil passou maus bocados entre ditaduras, golpes de estado, estados de sítio, regimes de exessão, entre outros problemas. Desde a proclamação, o país não viveu uma só década de tranquilidade política, podendo ser citada a época atual como excessão a esta regra. No entanto, os rumores de um terceiro mandato terminam com qualquer esperança de mudança na política brasileira. O Brasil continua o mesmo. Se pode ser apontada uma diferença, que seja a de que agora o comunismo já não é temido, pois chegou em seu estado total.

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