Deseducação em franco desenvolvimento

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O Governo brasileiro anunciou, na última quinta-feira (08/01) que quer inaugurar 100 escolas técnicas em 2009.

As informações são do site http://www.agorams.com.br, com entrevista do ministro da educação Haddad.

“É de suma importância a valorização que está sendo dada à educação profissional. O brasileiro não conviveu com uma situação em que a educação profissional fosse tão valorizada quanto a educação superior, como é no resto do mundo. Em todo o mundo, ela é valorizada, porque nem todo jovem quer acesso à educação superior. Muitos deles preferem a profissional. Na maioria dos casos, a partir dos 15 anos a alternativa da educação profissional já é oferecida, de maneira que o jovem possa decidir, em caráter preliminar, se quer uma vaga na educação profissional. O Brasil chegou a proibir, em 1997, a expansão das escolas técnicas federais”.

Em um país onde os profundos problemas educacionais estão no ensino superior, que formam as bases políticas e culturais nacionais, o pouco investimento em educação se dirige ao ensino técnico que, pouco ou nada vai fazer para tirar o país do fosso de ignorância que o traga desde o início do século passado. Ora, com uma formação técnica, como nas ciências exatas, um governo ganha uma grande e equipada mão-de-obra para efetuar obras faraônicas e planejamentos urbanísticos, coisas que só angariam novos mandatos.

Assim fica livre o caminho para que o governo, somente ele e seus indicados, mantenham-se no comando do planejamento social e comunitário, deixando os técnicos para construir pontes e os símbolos da nova nação que os intelectuais querem construir. Afinal quem vai ensinar estes novos técnicos senão professores formados no “antigo” regime de educação universitária?

Adequada ao tema em questão, a frase abaixo é do escritor e sociólogo gaúcho Percival Puggina e sintetiza o que acontece em nossa educação há décadas ininterrúptas.

“Perdoem-me, então, os pedagogos e professores brasileiros que vão a Cuba, gostam do que vêem e chutam o balde da geração e transmissão do conhecimento em benefício da tal “formação para a cidadania”. O que praticam não é educação e tem nome: estupro ideológico das mentes juvenis. A educação cubana, constitucionalmente comprometida com a formação de uma sociedade comunista não tem como ser boa”.

A opção pela educação técnica ao invés da superior demonstra claramente a opção pela ignorância e pelo servilismo de uma massa que, cada vez mais, embrenha-se nesta era que deveria servir a propósitos maiores, como meio e não fim, de uma construção maior que é a da manutenção das garantias conquistadas pela civilização.

O atual – já quase passado – estágio evolutivo, porém, vai de encontro ao projeto almejado pelos governos que se avizinham e se prostram ao deleite em mal-fadados discursos pré-históricos reunidos do pior que a civilização já produziu.

A melhor forma de desvirtuar qualquer processo é dar ênfase ao seus meios para que seus fins e princípios sejam esquecidos e perdidos os seus significados. Os meios distanciados dos princípios, por sua vez, trazem a pior das mazelas humanas: a criação de princípios e fins que legitimem tais meios.

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