Para além da propaganda ideológica e das argumentações

· Ideologia, Movimento Gay
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Hoje vemos as discussões públicas girarem em torno de um confronto entre os fins e os meios. Discute-se se são os fins que importam independente dos meios utilizados ou se são os meios que merecem a hegemonia das preocupações. Mário Ferreira dos Santos dizia: mais importante que fins ou meios são os princípios, pois é destes que decorrem os demais. “Se os princípios forem altos, bons serão os meios e elevados serão os fins”, dizia o filósofo.

Mas destes é raro que se ocupem como raros são os que os conhecem. Quando não há conhecimento dos princípios, busca-se fins e acaba-se por tolerar os meios que se emprega pragmaticamente.

Qualquer discussão sadia deve começar com a classificação do discurso do interlocutor segundo o critério do que é meio, fim ou princípio em suas palavras. Esta classificação não é simples, mas torna-se automática após algum treino. Vejamos um exemplo.

Quando um gayzista afirma que a sociedade é quem cria os papéis masculino e feminino, que nada têm a ver com a biologia, como podemos elencar os fins e meios, segundo os princípios adotados de modo a compreender o seu discurso? Vejamos:

A retórica dessa objeção obedece a princípios relativistas, historicamente criados como método epistêmico das ciências humanas especialmente a antropologia e a psicologia. Relativizar segundo a cultura vigente qualquer comportamento humano é nada mais que adotar um comportamento vicioso oriundo de um método que é útil somente na condição de método e não como um valor em si. Não obstante, sabemos que o objetivo (fins) do interlocutor é levar à conclusão lógica de que os homens e mulheres podem escolher seu próprio gênero ou sexo a que vão pertencer, já que não há determinantes biológicos mas sim sociais, o que varia conforme a cultura do individuo. Indo mais além, o objetivo deste tipo de retórica é legitimar a ideia de que não existe vínculo “real” entre o comportamento sexual e a biologia humana. Concede-se assim o status de “real” e inescapável, ao fator biológico, o que não se verifica nem na realidade das ciências naturais. Isso implicaria dizer que se houvesse tal vínculo com o biológico, a determinação deste comportamento seria inevitável, o que leva nosso objetante ao mais cruel absolutismo interpretativo. Ou seja, ao impugnar um tipo de condicionante com fins de relativizar a conduta, o argumentador dá a esta mesma condicionante um caráter determinista ainda mais firme e absolutizante. Percebe-se então que mesmo este nível tão aparentemente relativizador de argumentação está ainda dependente de uma firme autoridade de premissas herdadas das ciências naturais e busca, portanto, decorrer suas conclusões do mesmo tipo de lógica que pretende atacar.

Sabemos, porém, que este tipo de retórica é usada por proponentes de uma ideologia que aparentemente busca dar liberdade a todas as formas de comportamento sexual que possa existir. Este é o fim proposto, ou seja, é a causa propagada, a propaganda. Vejamos então se é possível levar este raciocínio de determinação social em vez do biológico ao nível concreto. Ora, sabemos que os gayzistas em geral não aceitam a ideia de um homossexual re-converter-se em um heterossexual, o que o inverso é perfeitamente possível e até estimulado por eles. Logo, a determinação social que gera o heterossexualismo é colocada como danosa à liberdade do sujeito enquanto que este já convertido ao homossexualismo torna-se magicamente imune à mesma influência social de modo que não seja possível retornar ou mudar de ideia, como se dali em diante a determinação do seu comportamento passasse de social para biológica, fator este que os gayzistas, é claro, já concederam toda a força determinadora ao afastá-lo. O fluxo de determinação social proposto por eles então é arbitrário e não permite duas vias. O fim nos parece impossível em termos práticos e só nos resta interpretá-lo como um objetivo ligado à esfera da ideologia, cuja crença leve as pessoas a ações práticas. Estas ações, por sua vez, terão uma outra consequência social e psicológica e ai estamos mais perto de sua verdadeira motivação.

Se os meios, como vimos, são a argumentação relativista e os fins não admitem relativização, vemos então que se trata, a causa, de um instrumento de combate ideológico. Logo, se o fim proposto não passa de um instrumento, qual o fim verdadeiro, isto é, qual a verdadeira obra que se pretende ao tentar solidificar tal tipo de discurso.

Um gayzista pode ser anti-homossexual, como o são para suas famílias a maioria dos apoiadores dessa causa. Tanto feminismo como gayzismo funcionam instrumentalmente como desvalorizadores da família e da vida humana. Ora, além do abortismo inerente ao feminismo, a proposta de casamento gay leva logicamente à desvinculação das relações sexuais com a reprodução, o que atende ao agendamento globalista do controle populacional tecnicista. Ambos fazem parte de uma cultura de caos e morte.

Que não se caia na armadilha de acreditar na boa intenção sonhada por estes ideólogos, pois nem mesmo eles acreditam nisso e os estão jogando ao ar como quem joga merda no ventilador para depois vender serviços de limpeza.

Karl Mannheim no livro Diagnóstico de nosso tempo, explica a estratégia do grupo nazista para o objetivo de engenharia e planificação social. É necessário, segundo Mannheim, desestruturar os grupos sociais para que sejam reestruturados depois conforme o desejo do agente. E para desestruturá-los deve-se impor a eles condições de extrema penúria social de modo que a participação ou integralidade das relações perca sua importância e leve os cidadãos em direção das suas necessidades mais básicas e atendimento de estímulos mais imediatos. Em outros termos, rebaixa-se o homem ao nível animal. A ideologia gay, tal como a liberação sexual, busca dar um exemplo de que é possível ao cidadão bem politizado, defender politicamente os seus desejos mais irracionais e desprovidos de humanidade e elevá-los à esfera de direitos humanos inalienáveis. Uma das evidências de que o advento do chamado Sex Lib foi na verdade o início de um plano de desestruturação cognitiva, é que hoje vemos no mesmo bojo chegarem reivindicações pelo direito à pedofilia, zoofilia e até ao canibalismo. A aparente proposta destas reivindicações pouco importa, pois atendem ao mesmo objetivo, o de colocar o homem em situação de completa animalidade, indiferente à morte, insensível ao sofrimento, neutro e imparcial diante do caos, mas refém de todo sentimentalismo individualista que o possa ser estimulado para uso político por meio de estímulos controláveis.

Tornado um animal refém de suas emoções imediatas e instintos mais selvagens, toda a possibilidade de reorganização da sociedade estará nas mãos dos que tiveram e preservaram inteligência e saúde mental para arquitetarem este plano diabólico. E caberá a eles então restaurar a ordem por meio da tão sonhada planificação social. Se é danosa e incômoda a atual desmoralização do homem, mais indigesta será a proposta de restauração que logo virá, embora muito poucos terão força ou inteligência para se levantarem contra tal poder.

O que quero dizer com tudo isso é que, apesar de os conservadores ou reacionários temerem profundamente por suas sensibilidades e senso de civismo que constantemente é ofendido pelas propostas nominais das ideologias reinantes, é mais proveitoso preparar-se para o verdadeiro princípio de toda essa revolução, isto é, a proposta de restauração e construção de um mundo perfeito, tentação que se fortalecerá conforme o avanço do caos social e moral.

As ideologias gays, feministas, animalistas, canibalescas ou seja lá o que mais surgir, são meros meios para a obtenção do caos que dará oportunidade da planificação, que é o seu verdadeiro fim. O princípio revolucionário, se o há, é o do ódio à estrutura do real e sua luta jamais se dará por concluída.

 

O papel do Cristianismo

 

Mesmo a moral cristã, contra a qual lutam ardentemente estes ideólogos, poderá ser usada mais dia menos dia, para a reconstrução social, pelos mesmos que hoje a atacam. A futura planificação poderá ser de ordem teocrática cristã ou islâmica, mas não Nova Era. A proposta de multiplicidade das religiões é destruidora e fragmentária por natureza. Na hora da reconstrução, optar-se-á por um modelo coeso e que tenha vigor doutrinário e moral para manter a sociedade integrada firmemente levando em conta as experiências históricas do cristianismo ou islamismo. Só o tempo dirá qual deles.

Mannheim dedica os últimos capítulos de seu livro para ajudar teólogos cristãos a pensar um meio de reintegrar o cristianismo ao homem sem deixá-lo cair nas mãos de planificadores tecnocratas e moralistas do positivismo endêmico dos intelectuais de nosso tempo. O verdadeiro desafio, portanto, parece estar para além do combate aos incêndios e as reações imediatas (e necessárias), mas parece estar mais próximo do conhecimento da natureza da mente revolucionária e dos seus meios e fins que vão muito além da mera propaganda alardeada.

A Igreja Católica, como a mais antiga instituição religiosa existente, se vê hoje diante do desafio de escolher em que lado ficará. No passado, ela já escolheu ficar ao lado do poder e sofreu com isso. Quando os reis a utilizavam para perseguir opositores acusando-os de hereges e queimando-os no fogo da Inquisição, os padres se viram no dever de separar-se do poder temporal e contentar-se com o espiritual. Resta saber se esta decisão será lembrada quando surgir diante dela a ameaça do martírio de seus fiéis, em um momento que a própria existência de um poder espiritual está ameaçada diante do caos relativista.

As tentativas de politizar o poder espiritual não foram poucas. Desde a Teologia da Libertação, a Igreja luta para manter-se longe da instrumentação político-ideológica marxista. Com o aparente arrefecimento desta ideologia dentro da Igreja, surge o Eurasianismo russo que se alia fortemente à igreja ortodoxa daquele país e repete mais um episódio de assédio de César ao que é de Deus.

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